Oi deusas tudo bem?

Na segunda-feira recebi em um app o depoimento (carinha de coração) de uma leitora da matéria de quarta passada, o que me fez mudar o tema da matéria de hoje. O nome dela é Elaine e começou assim:

“Boa Tarde Adriana! Tudo bem?

Li seu post no blog sobre transição capilar. Menina como é difícil hein.

Meu cabelo era lindo maravilhoso com permanente afro. Usei durante 23 anos o permanente.

Nos últimos anos comecei a ter reação alérgica ao produto. Na última que fiz queimou a ponta da minha orelha. o.O

Daí resolvi tentar outra coisa, entretanto, nunca gostei de me ver de cabelo liso. Não me reconheço assim. Quando eu era adolescente, usava os alisantes disponíveis na época e depois dormia com bigudim na cabeça para amanhecer cacheada. Olha que louca!

Por essas e outras, resolvi tentar o Beleza Natural (BN). Mas como ele é incompatível com o permanente, estou cortando o cabelo aos poucos e aí ta uma beleza…

Um sofrimento que espero valer a pena…Rs”

Com esse texto que conheci a Elaine e de cara pedi para ela deixar eu mostrar a história dela para vocês. Quem me conhece sabe que sou a favor do cabelo natural e cuidados naturais, logo, não aguentei comentei:

“Olha de coração você está passando por essa fase tão difícil e vai usar química de novo, usei o BN (queria saber se era isso tudo mesmo, estou em transição novamente por isso) e meu cabelo está horrível, não está pior devido aos cuidados que tomo…será que vale a pena consumir o cabelo de química ou vale a pena consumir de cuidados?”

Ela então me explicou que o permanente está na monta e o que cresceu de cabelo virgem ela deu para o BN cuidar. E que gostaria de deixa-lo natural, mas não sabe se segura por que tem muito cabelo, observação rápida sonho da maioria é ter muito cabelo para jogar para o céu, mas que vai tentar com o BN se não gostar bora para o BC.

Nos negros estamos passando por um muro enorme de tabus e preconceitos, não tem como falar de cabelo afro, black power, turbante e etc, sem tocar nesse assunto. Tem sido difícil e muitas pessoas divergem de opiniões. Tem sido estabelecidas alguns padrões tanto vindo da mídia, que do jeito dela aparenta estar aceitando os negros e as negras em seu meio, como da própria comunidade negra.

cabelocrespo

Quando vemos na televisão, na mídia impressa ou em muitas mídias sociais uma negra de cabelo afro geralmente vemos esse tipo ai da foto ao lado. E confesso que quando comecei minha transição a 10 anos atrás, era ele que eu queria, a televisão faz isso com gente. Porém vimos aqui na primeira postagem que temos 4 tipos de cabelos e seus subtipos. A pessoa que quer ter o cabelo afro e procura uma referência e um ponto de partida, acaba não sabendo que existe um leque deslumbrante de tipos de crespo, não tendo então opção de escolher e saber que dentre a variedade que nos é permitida ela é mais uma gota, importante, da diversidade.

Outro coisa que a Elaine me contou foi sobre o preconceito que ela passou, e como isso, apesar de sempre amar cachos, a influenciou em usar química esses anos todos.

 

“Sempre Admirei as negras estilosas com seus cabelões, mas acho que tem que ter estilo.

Não acho que tenho. Rs

Faço parte da geração que foi reprimida.

Já ouvi muita piadinha desagradável por conta do cabelo. ”

Olha negas vocês que tem medo de assumir o power do seu black por conta de achar que não tem estilo SAIBAM QUE: NEGRA É ESTILOSA ATÉ DE PIJAMA!! Somos assim tombadores, causadores e só precisamos acordar para exalar poder (risos). Alguns dizem que me acho, e eu falo que eu não me acho, eu tenho certeza de mim. Deus me fez assim mamãe cuidou direitinho e não vou deixar de me amar horrores. Assim tem que ser para qualquer mulher.

Mas Adriana me conta ai qual é desse permanente afro aí!?

O permanente afro (PA) é uma química a base de tioglicolato de amônia, mais indicada para cabelos indefinidos, muito crespos (4c) e volumosos que não formam os cachos propriamente ditos e cabelos que passaram por processo de alisamento.

Como toda química capilar, o PA muda a estrutura dos fios e é realizado em três fases

  • Alisar: desestruturação dos fios
  • Enrolar: usa o bigudim e um produto para fazer o cacho da forma desejada. O Bigudim tem que ser de plástico, pois a química do PA reage com o metal
  • Neutralizar: é como um stop na ação química do produto a fim de deixar na forma desejada

O tioglicolato de amônia, não é compatível com tinturas, alisamentos ou qualquer outro tipo de química, se você tem o cabelo alisado e quer cachear ou vice versa, terá que esperar ao menos uns 6 meses para poder aplicar algo nas mechas e quando for aplicar fazer um teste para ver se não causa alguma reação. A Elaine usou por 23 anos e no fim teve queimadura química na orelha.

Grávidas e lactantes não podem nem pensar em PA.

Tiogliclato (TGA)Formula

O TGA é um sal que age como redutor que quebra as pontes de dissulfeto do aminoácido cistina encontrado na queratina capilar. Ocorre formação dupla para cada cistina e a queratina sofre inchaço ficando maleável para sofrer o processo de cachear, depois um oxidante, geralmente peróxido de hidrogênio, para o processo e regenera a as ligações de dissulfeto neutralização).

Apesar de vermos um resultado lindo após terminar o processo, a longo prazo e de forma crônica pode ocorrer toxicidade, principalmente irritação na pele e na pele do couro cabeludo e alergia. Tanto a meninas que fazem em seu cabelo como os profissionais que realizam o processo estão sujeitos a sofrer essas adversidades.

Para aplicação o profissional deve se atentar ao pH do cabelo que vai receber o produto e o pH da solução de amônia, pois substâncias de redução são mais eficazes em pH mais altos, sendo ideal em torno de 9 e 10, sendo indicado uma concentração de 7% para cabelos naturais.

Antes de tomar a decisão de fazer PA deve se atentar muito ao profissional, as condições do fio que devem estar saudáveis e o saber que o cuidado pós a aplicação deve existir e precisa ser especial!!!

O cabelo natural também exige cuidado como qualquer parte do nosso corpo, e não só externos a alimentação conta e muito, porem os efeitos colaterais de um cabelo natural é praticamente inexistente!!! Ninguém tem alergia por ter o cabelo natural, eu particularmente prefiro os produtos naturais também, finalizo meu cabelo com gel de linhaça ;). Não estou desmerecendo os produtos do mercado, faço uso de vários, só acredito que se deve ter um olhar crítico e holístico para o que você pretende fazer com a sua coroa

E para ser Afro não precisa ser Permanente, basta ser NATURAL e ser o que você achar melhor para você, sempre cuidando da saúde!!

Incompatibilidade do TGA

Hidróxido de Sódio; Cálcio e Guanidina, tintura, formol, progressivas de qualquer natureza e qualquer nome genérico.

 

 

“Meu nome é Elaine, Tenho 46 anos.

Mulher 1

Sou formada em Tecnologia da Informação. Atuei na área de Informática até 5 anos atrás, quando, para evitar que surtasse de vez, sai de um emprego onde estava há 13 anos e resolvi abrir minha empresa de jardinagem.

Jardinagem até então era um hobby, mas transformei um profissão”.

Personagem da vida real que rendeu essa publicação, uma querida! Muito Obrigada!! Sz’

 

Sou Adriana Marcelino, amo meu Afro mesmo na transição, pela segunda vez!!

Mulher2

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